Contra o abandono de Animais
"O abandono de animais é um acto cruel e degradante". É o que diz o artigo 5º da Declaração Universal dos Direitos do Animal. Quem abandona? Porque o faz?

Algumas pessoas entregam os animais nos canis municipais dizendo, na maior parte das vezes, que encontraram o animal na rua ou que era de amigo ou familiar. Outras afirma peremptoriamente que não podem ficar com o animal, alegando as mais variadas razões, nomeadamente que vão de férias e não o podem levar. Ainda há aquelas outras que os abandonam no portão dos canis ou que os atiram por cima da vedação. Mais grave ainda são aquelas situações em que animal é abandonado em plena rua ou via rápida, com a iminente probabilidade de atropelamento e causa de acidentes. Será que todas essas pessoas sabem que um cão ou gato que entra num canil minicipal tem uma esperança de vida de sete dias? É o tempo legal para ser reclamado. Findo esse prazo, o animal pode ser abatido. O principal trabalho de muitas associações de defesa dos animais é o de tentar evitar que este destino se cumpra, sobretudo, por campanhas de adopção. Neste sentido, a APA - Associação Açoriana de Protecção dos Animais associou-se à Câmara Municipal de Ponta Delgada nas comemorações do Dia Mundial da Criança e do Ambiente, em campanhas de adopção de cães e gatos provenientes do Canil Municipal de Ponta Delgada. Os resultados foram animadores, uma vez que no Dia Mundial da Criança foram adoptados 19 cães e 15 gatos, e no Dia Mundial do Ambiente foi possível dar mais 11 cães e 6 gatos.

Não podemos deixar de lamentar que o Canil Municipal de Ponta Delgada se tenha esquecido de mencionar, nas notícias publicadas sobre este assunto, a colaboração da APA nestas campanhas de adopção. Esquecimentos à parte, refira-se que o objectivo destas campanahs foi, não só o de encontrar um novo dono para aqueles animais mas, principalmente, um dono responsável e consciente das obrigações inerentes à decisão de adoptar. Antes de adoptar um animal, a pessoa deve assegurar-se de que tem condições para o fazer. ter um animal não é pura e simplemente alimentá-lo! É levá-lo a passear, é dar-lhe atenção, é levá-lo ao veterinário e é tratá-lo, na medida do possível, cono se fosse mais um mebro da família.
De acordo com o Relatório de Actividades do Canil Municipal de Ponta Delgada , deram entrada naquele Canil, em 2009, 2088 animais. Destes, 780 foram adoptados mas 1.308 tiveram como destino o abate. Em relação aos cães, 1274 foram entregues por particulares ou recolhidos na via pública. Os motivos que mais frequentemente são apontados pelas pessoas que entregam os animais nos canis referem-se à mudança de residência e/ou de país, falta de espaço, divórcio, o comportamento do animal (porque ladram muito, porque não são ensinados a fazer as necessidades na rua , porque marcam território...). Acontece ainda que, nos períodos de férias, aumentam as situações de abandono. A questão que vale a pena colocar é: que tipo de ser humano é que pode saborear uma férias sabendo que, o cão/gato que ontem era o seu animal de estimação, está naquele momento, à sede, à fome ou até ferido/morto? Uma espécie de ser humano que certamente não querenos ter como amigo.

As associações de defesa animal lutam para arranjar um novo lar para muitos desses animais. Mas, regra geral, não são suficientes os esforços que os voluntários e os amigos dos animais desenvolvem. Isto porque, na maior parte dos casos, estas associações não possuem instalações próprias para acolher os animais abandonados, como é o caso da APA, ou escasseiam os donativos (monetários ou em espécie) necessários ao tratamento desses animais. Através das quotas de sócios e alguns donativos, a APA suporta as primeiras despesas e acolhe em clínicas vetarinárias alguns animais abandonados, procurando depois um novo lar os mesmos. Fazemos o que nos é possível, atendendo às condições de que dispomos. O nosso campo de acção poderia ser bastante maior se existesse uma rede de interajuda que envolvesse as associações de defesa dos animais, as autarquias, as empresas de produtos para animais, os canis municipais e a GNR, em torno do mes

mo objectivo: sensibilizar contra o abandono e promover campanhas de adopção com responsabilidade.
Esperamos que este pequeno testemunho sirva para despertar a consciência para um dever cívico de responsabilidade, bem como para transmitir a alguns críticos que, ao contrário do que eles pensam, as associações de protecção animal não actuam apenas no Dia Mundial do Animal.